quinta-feira, 4 de março de 2010

Falta-me tempo!

Falta-me tempo pra tanta coisa...
Para ler mais, para pensar mais sobre quem sou, o que quero pra mim, meus erros e acertos.
E, de repente, me deparo com uma poesia, escrita à tanto, tanto tempo e que cala fundo em mim...
                            

Eu
        



Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...

Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...

Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!



Florbela Espanca

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